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Doc Rivers conquista seu lugar no Hall da Fama com uma carreira de treinador entre as 10 melhores

10/08/2026, 03:29
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Doc Rivers afirma que construiu uma carreira de treinador digna do Hall da Fama “simplesmente aparecendo”. Essa forma de ver as coisas subestima a magnitude do que ele realmente fez, mas captura a continuidade incansável que define sua trajetória ao longo de seis décadas na NBA.

Os números que colocam Rivers em um seleto grupo

Rivers, de 64 anos, será consagrado no Naismith Memorial Basketball Hall of Fame como parte da Turma de 2026, com a cerimônia marcada para sábado, em Springfield, Massachusetts. Como técnico, ele ocupa o sexto lugar entre os 11 homens que conquistaram pelo menos 1.000 vitórias: sexto em vitórias (1.194), sétimo em derrotas (866), sétimo em jogos com aproveitamento acima de 50% (166) e quarto em vitórias nos playoffs (114).

Some-se a isso seus 2.060 jogos como técnico de cinco franquias — Orlando Magic, Boston Celtics, Los Angeles Clippers, Philadelphia 76ers e Milwaukee Bucks — às suas 864 partidas como armador ao longo de 13 temporadas, e seu total chega a 2.924 jogos. Apenas os membros do Hall da Fama Lenny Wilkens (3.564) e Don Nelson (3.451) superam esse número na história da NBA. Rivers ocupa o terceiro lugar, à frente de Jerry Sloan (2.779), Phil Jackson (2.447), Pat Riley (2.432) e Larry Brown (2.378). LeBron James, com 1.622 partidas disputadas na carreira, não chega nem perto desses números absolutos.

Rivers jogou contra lendas como Nate Archibald, Elvin Hayes e Bob Lanier em suas últimas temporadas. Ele estava no banco do Milwaukee Bucks há apenas alguns meses, treinando contra Cooper Flagg e Victor Wembanyama. Esse alcance de participação — 43 das 79 temporadas da liga como jogador, comentarista ou técnico — é praticamente inigualável entre aqueles que nunca exerceram a função de jogador-técnico.

De Maywood a Marquette e à NBA

Glenn Rivers cresceu em Maywood, Illinois, nos arredores de Chicago, e foi apresentado ao basquete por sua mãe, Bettye, na Proviso East High School, onde ela havia estudado. Ele ganhou o apelido de “Doc” em um acampamento de verão em Milwaukee, quando Rick Majerus, assistente do comentarista Al McGuire, o apresentou enquanto ele usava uma camiseta do Julius Erving. McGuire, famoso por esquecer nomes, deixou que a camiseta falasse por si. O apelido pegou. Quando Rivers enfrentou o time da Filadélfia como novato, Erving sorriu, estendeu a mão e usou o apelido.

Escolhido na 31ª posição pelo Atlanta em 1983, após três anos na Marquette, Rivers se juntou a um time dos Hawks em ascensão. Ele formou a dupla de armadores titulares com Randy Wittman, criou uma boa sintonia com Dominique Wilkins, conquistou uma vaga no All-Star em 1988 e ajudou o Atlanta a chegar aos playoffs seis vezes em oito temporadas. Seguiram-se passagens pelos Clippers, Knicks e Spurs, e ele guardou os livros de jogadas de cada time por onde passou.

“O que o Doc fazia de melhor era se comunicar, fosse na TV explicando o jogo, conversando com a imprensa ou lidando com os jogadores. Ele conseguia falar com eles de uma maneira que os jogadores entendiam e acreditavam.” — Randy Wittman

A carreira de treinador que ninguém planejou

Rivers passou três temporadas, após encerrar a carreira de jogador, atuando como comentarista dos Spurs. Pat Riley, entre outros, considerava isso um desperdício.

“Riley exigiu que eu fosse técnico. Era como uma briga de socos quando eu trabalhava na TV naquela época. Eu narrava os jogos do Miami e ele vinha até mim na mesa: ‘Entre na [expletive]briga! É isso que você é.’” — Doc Rivers

A ligação veio em 1999, de Orlando. Rivers, então com 37 anos, substituiu Chuck Daly, de 68 anos. O elenco não contava com nenhum jogador classificado entre os 300 melhores da Sports Illustrated naquela pré-temporada. O Magic terminou com 41 vitórias e 41 derrotas, e Rivers ganhou o prêmio de Técnico do Ano de 2000.

“Meu primeiro ano provavelmente foi o mais importante. Ele me forçou a ser criativo, me forçou a realmente liderar aquele grupo. Aquela foi nossa equipe de ‘coração e garra’, uma das minhas favoritas entre todas as que já treinei.” — Doc Rivers

Boston, o título e o escritório que ele nunca deixou

Seu time favorito foi o Celtics de 2007-08. Kevin Garnett e Ray Allen chegaram para jogar ao lado de Paul Pierce no verão de 2007, e Rivers teve que integrar três jogadores-chave que, na temporada anterior, tinham uma média de 20 arremessos por jogo cada um. Ele os levou para um passeio de barco ao longo do trajeto da parada em Boston como uma prévia e, em seguida, disse a eles que a matemática não funcionava mais.

“Eu disse a eles: ‘Cada um de vocês teve uma média de 20 arremessos por jogo no ano passado. Isso não é mais possível agora’. Lembro-me de Kevin dizer: ‘Você pode ficar com todos os 20’. Ele estava sendo sincero, tipo: ‘O que vai ser preciso para ganharmos este ano? Me diga isso e eu farei’. Isso definiu o tom.” — Doc Rivers

Aquele grupo começou com 29 vitórias e 3 derrotas, terminou com 66 vitórias e 16 derrotas, liderou a liga em índice defensivo (98,1) e índice líquido (10,8), e derrotou o Detroit e o Lakers em seis jogos cada um para conquistar o título. Rivers introduziu a cultura “Ubuntu” — o sucesso coletivo da equipe como condição para o sucesso individual — no vocabulário da NBA. Após o apito final, ele se retirou para seu escritório e nem chegou a ir ao vestiário. Seu pai havia falecido durante a temporada.

“Nunca tive a chance de fazer meu luto. Lembro-me de fumar um charuto, relembrar a temporada e, obviamente, chorar pelo meu pai. Quando saí, a comemoração já tinha acabado. Devo ser o único técnico da história que nunca chegou ao vestiário.” — Doc Rivers

A lesão no joelho direito de Kevin Garnett, em 2009, acabou com qualquer chance de repetir o título. A lesão de Kendrick Perkins no Jogo 6 das Finais de 2010 custou ao Boston a série. Quando a diretoria pensou em uma reformulação após a temporada 2012-13, Rivers seguiu em frente — tornando-se um dos raros treinadores trocados por uma escolha no draft (a escolha de 2015 usada para selecionar o armador R.J. Hunter, da Georgia State).

Los Angeles, Filadélfia e Milwaukee

Em Los Angeles, Rivers treinou o time dos Clippers, com Blake Griffin, Chris Paul e DeAndre Jordan, por sete temporadas, registrando 356 vitórias e 208 derrotas na temporada regular e 27 vitórias e 32 derrotas nos playoffs, sem nunca ter passado das semifinais da Conferência Oeste. Seu trabalho mais consistente lá foi orientar os jogadores durante a saída escandalosa do ex-proprietário Donald Sterling. Ele também aprendeu, na prática, que combinar as funções de técnico principal e diretor executivo de basquete cria uma situação inviável.

A perda da vantagem de 3 a 1 na série contra o Denver na bolha de Orlando em 2020 encerrou sua passagem pelos Clippers. Daryl Morey o trouxe para a Filadélfia cinco dias depois. Os Sixers tiveram um aproveitamento de 154 vitórias e 82 derrotas ao longo de três temporadas com Rivers no comando, com 20 vitórias e 15 derrotas nos playoffs, mas as derrotas no Jogo 7 para o Atlanta em 2021 e para o Boston em 2023 encerraram cada campanha. Rivers assumiu a responsabilidade nas duas ocasiões.

Seguiu-se um retorno à ESPN como comentarista ao lado de Mike Breen e Doris Burke na temporada 2023-24, interrompido quando Milwaukee o contratou no meio da temporada para substituir Adrian Griffin, que tinha os Bucks com 30 vitórias e 13 derrotas. Sem um Giannis Antetokounmpo em plena forma para as campanhas nos playoffs, a situação nunca se estabilizou. O Bucks terminou com 48 vitórias e 34 derrotas na temporada 2024-25, mas depois teve um desempenho fraco, ficando com 32 vitórias e 50 derrotas na última temporada. Rivers pediu demissão. Antetokounmpo já não está mais no time.

O que o Hall realmente representa

Rivers está agora na fase de avô, com seus quatro filhos — Jeremiah, Callie, Austin e Spencer — já crescidos. Ele joga golfe regularmente e consideraria um cargo na diretoria ou um retorno à carreira de comentarista, mas seus dias como técnico provavelmente chegaram ao fim.

“Eu queria ganhar um campeonato como jogador, mas nunca consegui. Em vez disso, ganhei um como técnico. E, de certa forma, isso pode ser mais gratificante. Você tinha que fazer mais do que apenas jogar — tinha que inspirar um grupo de rapazes a trabalhar em conjunto e ter sucesso.” — Doc Rivers

“Isso me fez refletir sobre como o importante não sou eu. O importante são os treinadores, os jogadores e minha assistente Annemarie [Loflin]. Você percebe que ninguém consegue fazer algo assim sozinho. Todos os treinadores que estiveram comigo e que eram tão inteligentes — Ty Lue, [Tom Thibodeau], Lawrence Frank, basta seguir a lista. Esta é uma celebração de ter conhecido um grupo de pessoas que me ajudaram a chegar ao Hall da Fama.” — Doc Rivers

Leia também: Repórter do Warriors rebate rumores sobre troca de Stephen Curry enquanto especulações sobre o Celtics aumentam

A consagração coroa 43 temporadas de envolvimento contínuo no basquete profissional — como jogador, analista e um dos treinadores mais experientes do esporte. Fique ligado no TipsGG para acompanhar a cobertura contínua das principais notícias da NBA.

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