Quando Pat Riley assumiu o comando das operações de basquete do Miami Heat, ele prometeu nunca reconstruir o time e sempre buscar uma superestrela. Três décadas depois, ele continua fiel à sua palavra.
Sua terceira — e talvez última — contratação capaz de transformar a franquia pode ser a mais complexa. Giannis Antetokounmpo segue os passos de Shaquille O’Neal (2004) e LeBron James (2010) até Miami e, assim como esses dois MVPs que vieram antes dele, chega trazendo uma esperança renovada — e um único objetivo. As circunstâncias, porém, são diferentes. Esse processo se torna um esforço conjunto se Miami quiser o mesmo resultado: um título.
Antetokounmpo deixou claro que não deixou para trás nenhum ano de vitórias em Milwaukee. Em sua coletiva de imprensa de apresentação na quinta-feira, ele definiu o tom de forma direta.
“Preciso de pressão nesta fase da minha carreira. Acho que, para chegar ao próximo nível, preciso sair da minha zona de conforto — e sinto que Miami era o lugar certo para mim.”
“Um dos meus objetivos é ganhar muitos campeonatos. Acho que esse é o melhor caminho para eu conseguir isso.”
Ele também está animado com a perspectiva de formar dupla com Bam Adebayo, especialmente depois de passar sua última temporada no Milwaukee Bucks sem nenhum companheiro de equipe no All-Star. Essa dupla no garrafão promete ser uma força de peso nas duas cestas, o suficiente para posicionar o Miami como um legítimo candidato ao título.
“Giannis quer vencer. O técnico quer vencer. Nossa torcida quer vencer. E esse é o nosso plano. Vamos em frente.” — Pat Riley
Antetokounmpo, de 31 anos, continua entre os cinco melhores jogadores da liga. Desde 2018-19, quando conquistou o primeiro de seus dois prêmios consecutivos de MVP, ele terminou entre os quatro primeiros na votação todos os anos, exceto na última temporada — e esse desvio se explica em grande parte pelos 47 jogos que ele perdeu. Antes da última temporada, ele tinha uma média de pelo menos 30 pontos por jogo em cada uma das três temporadas anteriores. Ele é um reboteiro confiável (9,9 rebotes por jogo na carreira) e um defensor de elite na área restrita — foi eleito o Jogador Defensivo do Ano em 2018-19.
Sua presença é inegável. A verdadeira questão é a disponibilidade.
Antetokounmpo disputou 70 ou mais jogos apenas uma vez desde que a liga voltou ao calendário de 82 jogos após a pandemia da COVID-19. A última temporada foi particularmente difícil, com problemas na panturrilha, na virilha e no joelho que o mantiveram afastado das quadras por longos períodos. Seu sucesso em Miami depende inteiramente disso. Será que as lesões, em grande parte resultado do ritmo acelerado com que ele joga, continuarão se acumulando? Ou será que a fase recente foi apenas um revés temporário?
Miami conhece bem as superestrelas
Em 14 de julho de 2004, o Los Angeles Lakers enviou Shaquille O’Neal para Miami em troca de Lamar Odom, Caron Butler, Brian Grant e uma futura escolha na primeira rodada do draft. Poucas franquias tiveram o luxo de adquirir três jogadores que, juntos, somam agora sete prêmios de MVP, oito prêmios de MVP das finais e nove títulos.
O’Neal chegou como uma força de 300 libras, trazendo experiência em campeonatos e uma fama fora do comum. Um relacionamento abalado com Kobe Bryant e a exigência de uma renovação de contrato de US$ 100 milhões forçaram uma troca do oeste para o leste. Miami apostou tudo. A parceria durou três temporadas e meia. Na temporada 2004-05, O’Neal perdeu por pouco o prêmio de MVP para Steve Nash, enquanto o Miami conquistou 59 vitórias, o melhor desempenho da Conferência Leste. A temporada seguinte trouxe um título — embora, nas Finais da NBA de 2006, a transição já estivesse clara. Era o time de Dwyane Wade.
O’Neal tinha 32 anos quando chegou, um ano mais novo do que Antetokounmpo tem hoje. Aos 34 anos, seus joelhos e sua condição física haviam se tornado problemas persistentes. Ele teve uma média de apenas 13 pontos nas finais de 2006, foi carregado por Wade na temporada seguinte e foi negociado com o Phoenix no meio da temporada 2007-08. O título fez tudo valer a pena.
LeBron James proporcionou ainda mais. Apesar de todo o alvoroço em torno de “The Decision”, sua ida para Miami foi uma vitória comprovada para a franquia — e, quer os fãs admitam ou não, para a liga. A união de James com Wade e Chris Bosh conquistou os fãs casuais de basquete exatamente no momento em que as redes sociais estavam explodindo. A audiência subiu, o produto alcançou um público cada vez maior e vieram contratos de mídia na casa dos bilhões de dólares.
Para James, pessoalmente, foi a melhor fase de sua carreira. Ele conquistou dois de seus quatro prêmios de MVP, chegou às finais em todas as quatro temporadas e conquistou dois títulos. Um feito difícil de superar.
Como é, na verdade, a Era Antetokounmpo
As novas regras do teto salarial e os limites adicionais tornam a tarefa do Miami consideravelmente mais difícil do que era durante a era do Big Three. Naquela época, o Heat complementava o elenco com veteranos dispostos a aceitar salários menores — os Ray Allens e Shane Battiers do mundo. Esse ambiente não existe mais. Contar com dois All-Stars já é um desafio hoje em dia, quanto mais três.
No futuro próximo, Antetokounmpo formará dupla com Adebayo e partirá daí. Apesar das restrições, o Miami está em melhor posição ao iniciar esta temporada do que estava há um ano.
O arremesso de fora era um ponto fraco evidente, já que tanto Antetokounmpo quanto Adebayo representam uma ameaça mediana no perímetro. Tim Hardaway Jr. resolve isso diretamente — o jogador de 34 anos acertou 40,7% dos arremessos de três pontos na última temporada com o Denver Nuggets e deve ter muitas oportunidades de arremesso livre. Bobby Portis Jr., que veio de Milwaukee junto com Antetokounmpo, reforça a presença na área restrita e é uma ameaça de duplo-duplo. Andrew Wiggins retorna como um defensor confiável no perímetro, tendo registrado 15,4 pontos por jogo na última temporada sem exigir um volume excessivo de arremessos.
Depois, há os jovens jogadores — Pelle Larsson, Nikola Jović, Davion Mitchell — e resta saber se algum deles conseguirá se tornar um contribuidor significativo para a rotação.
O Miami também pode contratar um veterano com um contrato modesto. Os ex-All-Stars DeMar DeRozan ou Bradley Beal ainda podem render nesta fase de suas carreiras. Russell Westbrook é uma opção caso o Heat queira mais experiência e estabilidade na posição de armador. Todos os três têm dinheiro garantido. Nenhum deles tem um anel de campeão.
E há sempre a variável James. O Miami pode oferecer a ele US$ 6 milhões para que retorne e divida a quadra com Antetokounmpo e Adebayo. Isso seria um acontecimento significativo sob qualquer ponto de vista.
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A primeira tarefa era contratar um superastro. Miami conseguiu isso. O que vem a seguir — montar um elenco com potencial para o título em torno dele, ao mesmo tempo em que se cuida de sua saúde e lida com as restrições do teto salarial atual — é o verdadeiro trabalho. Assim como aconteceu quando O’Neal chegou e quando James trouxe seu talento para South Beach, o Heat com Giannis Antetokounmpo é imperdível. Siga o TipsGG para acompanhar a cobertura contínua da jornada do Miami rumo ao título.