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Michael Carrick sobre confiança, juventude e o coração do Manchester United

20/02/2026, 03:21

Do jornalismo ao gramado: A transição tranquila de Carrick

O retorno de Michael Carrick a Old Trafford não foi marcado por fanfarras ou telefonemas frenéticos, apenas por uma certeza tranquila. O ex-meio-campista do Manchester United, agora técnico interino, admite que a oportunidade pareceu certa desde o momento em que chegou. “Eu estava dirigindo para Newcastle quando a mensagem chegou”, disse ele a Mark Chapman em uma entrevista exclusiva para a The Football Interview. “Não estava gritando e berrando na autoestrada. Eu simplesmente liguei para minha esposa e disse: ‘Foi isso que aconteceu’.”

Essa confiança discreta se traduziu em resultados. Desde que assumiu o comando no mês passado, o United conquistou 13 pontos em cinco jogos, incluindo vitórias consecutivas sobre o Manchester City e o Arsenal. O treinador de 44 anos foi eleito o melhor técnico do mês da Premier League, um reconhecimento a um início que desafiou as expectativas.

O efeito Mainoo

Kobbie Mainoo foi fundamental para o ressurgimento do United. O jogador de 20 anos, formado na academia, que não havia começado uma partida da liga nesta temporada sob a administração anterior, tornou-se um elemento fixo sob o comando de Carrick. “Conheço Kobbie há muito tempo”, diz Carrick. “Comecei a trabalhar com ele quando ele tinha 13 ou 14 anos. Ele é um grande talento.”

No entanto, a fé de Carrick em Mainoo não é cega. “Nós nos esquecemos de como ele ainda é jovem”, observa. “Não é fácil encontrar seu ritmo quando você não jogou. Mas ele é um jogador de futebol fantástico, estamos apenas deixando-o ir e encontrar seu ritmo.” A abordagem é deliberada: interferência mínima, confiança máxima. “Algumas pequenas dicas, algumas coisas de posicionamento. Mas, principalmente, trata-se de confiar no que ele é.”

“Eu era um grande fã de vê-lo jogar. Não foi realmente uma grande decisão jogá-lo.”

Orgulho da Academia e o “papel supremo

A ligação de Carrick com a academia do United é profunda. Desde 1937, o clube conta com um jogador da academia em todos os jogos da equipe, um recorde que ele chama de “um enorme sentimento de orgulho” “É sobre isso que este clube de futebol foi construído”, diz ele. “Dar a um jovem jogador sua estreia é um momento de orgulho como qualquer outro.”

Essa filosofia se estende à sua equipe técnica. Ao lado de Steve Holland, Jonathan Woodgate e Jonny Evans, Carrick montou um grupo que equilibra experiência e novas perspectivas. “Todos nós temos opiniões fortes”, ele admite. “Mas nós as filtramos. É importante que tenhamos uma conexão e um entendimento de onde queremos chegar.”

Evans, um ídolo do clube, e Woodgate, um ex-companheiro de equipe, trazem o senso defensivo. Holland, com sua experiência no Chelsea e na equipe nacional da Inglaterra, oferece profundidade tática. “Eles me desafiam”, diz Carrick. “Não posso estar certo o tempo todo.”

Pressão, paciência e o lado humano da administração

O estilo de liderança de Carrick se baseia mais na empatia do que nos flipcharts. “Gosto de estar perto das pessoas”, explica ele. “Não promovo o fato de que tenho todas as respostas. Trata-se de tratar as pessoas com respeito.”

Esse ethos se estende à academia. “Nós nos deixamos levar pelos resultados”, diz ele. “Mas trata-se de desenvolver os comportamentos e as carreiras dos jovens. Alguns jogadores nem chegam a estrear aqui, mas têm carreiras inacreditáveis. Isso é algo de que realmente nos orgulhamos.”

Quanto ao futuro? O contrato de Carrick vai apenas até o final da temporada. Mas, por enquanto, ele está concentrado no presente, na conexão entre os jogadores, a equipe e os torcedores. “A atmosfera no jogo contra o City foi especial”, lembra ele. “Dava para sentir isso antes do pontapé inicial. Essa é a coisa mais gratificante: receber essa emoção de todos de uma forma positiva.”

E o tratamento com o secador de cabelo? “Eu ainda não gritei”, ele ri. “Há um momento para todo tipo de emoção. Você tem que escolher os botões certos para apertar.”

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