Gana condenou formalmente a recusa do Canadá em conceder a Thomas Partey a entrada no país para a Copa do Mundo de 2026, classificando-a como uma “decisão extremamente injusta” que contradiz os princípios fundamentais do direito consuetudinário. O meio-campista das Estrelas Negras, que deixou o Arsenal como jogador sem contrato no verão passado e assinou com o time espanhol Villarreal, vinha treinando com a equipe em sua base em Boston antes da partida de estreia na fase de grupos.
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A primeira partida de Gana na fase de grupos está marcada em Toronto contra o Panamá, mas Partey parece destinado a perdê-la por completo. A FIFA confirmou na sexta-feira que ele possui um visto válido para os EUA e permanecerá no campo de treinamento da equipe em Boston, impossibilitado de cruzar a fronteira para o Canadá para a partida.
O motivo da recusa remonta a um processo criminal no Reino Unido. A Polícia Metropolitana de Londres acusou Partey de cinco acusações de estupro e uma de agressão sexual em julho passado. Em fevereiro, o jogador de 32 anos enfrentou mais duas acusações de estupro. Ele se declarou inocente de todas as acusações e aguarda julgamento. As autoridades de imigração canadenses citaram a inadmissibilidade nos termos do parágrafo A36(1)(c) da Lei de Imigração e Proteção aos Refugiados (IRPA), uma disposição acionada pelo processo criminal pendente, e não por qualquer condenação.
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O Ministério das Relações Exteriores de Gana emitiu uma refutação direta:
“O Governo da República de Gana expressa fortes reservas em relação à decisão arbitrária e extremamente injusta do Canadá de recusar um pedido de residência temporária para o Sr. Thomas Teye Partey, cidadão ganês e membro-chave da seleção nacional sênior de futebol de Gana, os Black Stars, que está participando da Copa do Mundo de 2026. Entende-se que a decisão se baseia em processos criminais pendentes no Reino Unido que não resultaram em nenhuma condenação ou decisão judicial de culpa. O Governo de Gana reafirma o princípio jurídico fundamental da presunção de inocência, pedra angular da justiça e do devido processo legal nas sociedades democráticas.”
A declaração reconheceu o direito soberano do Canadá de aplicar suas próprias leis de imigração, ao mesmo tempo em que argumentou que a aplicação dessas leis a acusações não comprovadas, na ausência de qualquer determinação judicial de culpa, levanta questões de proporcionalidade. Gana confirmou que está buscando um diálogo diplomático com as autoridades canadenses e pode solicitar uma revisão judicial perante o Tribunal Federal do Canadá para anular a proibição.
Os jogos restantesdo Gana na fase de grupos são contra a Inglaterra, em Boston, no dia 23 de junho, e contra a Croácia, na Filadélfia, no dia 27 de junho. Ambos os jogos serão disputados nos Estados Unidos, o que significa que Partey ainda poderá jogar se permanecer na base de Boston.
O técnico Carlos Queiroz deixou sua posição clara antes do torneio:
“Se o jogador está aqui comigo, minha resposta é clara. Não tenho comentários a fazer sobre minhas próprias decisões. Ele está aqui, então do que estamos falando? Não cabe a mim nem a você julgar isso. Deixe os acontecimentos seguirem seu curso normal; deixe o rio correr e, um dia, quando o rio encontrar o oceano, descobriremos a verdade.”
A situação coloca um dos jogadores mais experientes de Gana no centro de uma disputa diplomática durante o maior torneio de futebol do planeta. Resta saber se as autoridades canadenses responderão à pressão de Acra antes do jogo contra o Panamá. Siga o TipsGG para acompanhar a cobertura contínua de todos os desdobramentos em torno da campanha de Gana na Copa do Mundo de 2026.