O Haiti foi obrigado pela FIFA a modificar o design do uniforme da Copa do Mundo de 2026 poucos dias antes de sua partida de estreia na fase de grupos, com a entidade reguladora do futebol mundial determinando que a imagem da camisa viola seus regulamentos sobre equipamentos.
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Haiti jersey. lefloridien.com: Edited photo
O torneio começa oficialmente na quinta-feira, quando o México enfrenta a África do Sul às 20h (horário de Londres). A competição — coorganizada pelos EUA, México e Canadá — já gerou uma controvérsia significativa fora de campo. O presidente da FIFA, Gianni Infantino, pediu aos repórteres para “calmarem a cabeça” e “relaxarem” durante sua coletiva de imprensa pré-torneio, depois que o árbitro somali Omar Artan teve sua entrada nos Estados Unidos negada. O atacante iraquiano Aymen Hussein foi detido e interrogado por quase sete horas no Aeroporto O’Hare de Chicago após chegar com sua seleção.
Design do uniforme do Haiti considerado não conforme
O Haiti enfrenta a Escócia em sua estreia no Grupo C no domingo, às 2h (horário de Londres), seguido por Brasil e Marrocos. A camisa em questão, produzida pela fabricante colombiana Saeta, exibia uma representação de uma cena de guerra que a FIFA determinou violar seus regulamentos de equipamento. Segundo a BBC Sport, essas regras proíbem “mensagens ou slogans políticos, religiosos ou pessoais” no uniforme.
A Saeta divulgou um comunicado descrevendo o design original como “uma homenagem aos homens e mulheres que contribuem todos os dias para o futuro do Haiti”, enfatizando que “não se tratava de uma declaração política”.
“A FIFA determinou que certos elementos visuais poderiam ser interpretados de forma diferente de acordo com seus regulamentos de equipamento e, por fim, solicitou modificações no design. Embora essa interpretação tenha diferido de nossa intenção, a Saeta respeitou o processo e implementou os requisitos finais comunicados pela FIFA.”
A Batalha de Vertières no centro da controvérsia
A imagem no centro da disputa retrata a Batalha de Vertières — travada em novembro de 1803 — que marcou o ápice da Revolução Haitiana e levou diretamente à proclamação da independência em 1º de janeiro de 1804, estabelecendo a primeira república negra do mundo. A Saeta enquadrou a imagem como um símbolo de orgulho nacional.
Um jornalista investigativo que cobria a história ofereceu uma resposta contundente à decisão da FIFA:
“Símbolo do orgulho nacional, essa batalha foi escolhida por Saeta como uma homenagem aos homens e mulheres que possibilitaram a emancipação de um país que ergue sua bandeira para o céu. Inconcebível para a FIFA, que vê nisso uma ‘mensagem política’ e, por isso, exigiu modificações para cumprir as regras da competição. Como todos sabemos: as regras existem, mas só se aplicam a certas nações. Mantenham a fé.”
Primeira participação do Haiti na Copa do Mundo em 52 anos
O Haiti está disputando sua primeira Copa do Mundo desde 1974 — um intervalo de 52 anos. Sua única participação anterior terminou com três derrotas consecutivas na fase de grupos e 14 gols sofridos. A nação caribenha carrega enormes expectativas de seus torcedores simplesmente por estar presente no torneio, tornando a polêmica sobre o uniforme uma distração indesejada nas últimas horas antes do início de sua campanha.
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