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Gasperini pode transformar a Roma? Uma análise tática após seu sucesso na Atalanta

18/07/2025, 11:55

Todos nós vimos o que  Gian Piero Gasperini realizou na Atalanta – uma aula de futebol que redefiniu o que é possível para um clube fora da elite tradicional da Série A. Transformar uma equipe provinciana em um concorrente europeu não é um acaso. É o resultado de visão, consistência e uma filosofia tática intransigente.

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Não há dúvidas quanto às credenciais de Gasperini. Um dos principais gerentes da Itália há mais de uma década, ele lançou as bases de sua abordagem bem antes do milagre de Bergamo, principalmente no Genoa. Na Ligúria, a conquista de prêmios não era o objetivo. O que importava era o desenvolvimento dos jogadores, a identidade tática e a criação de valor. E ele cumpriu – repetidamente.

De Gênova à glória

No Genoa, Gasperini construiu um sistema que transformou o potencial bruto em ativos vendáveis, ajudando o clube a gerar receita e reinvestir de forma inteligente. Na Atalanta, com Giovanni Sartori como diretor esportivo, ele aprimorou esse modelo e o transformou em uma máquina. Os resultados? Jogadores como Roberto Gagliardini e Bryan Cristante atingiram o auge sob sua supervisão, mas tiveram dificuldades em outros lugares – uma prova de como o sistema de Gasperini extrai o máximo de rendimento de perfis específicos.

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O arquiteto de talentos

Chame-o como quiser – criador de talentos, visionário tático, gerente de sistema – o fato é que Gasperini eleva os jogadores e as equipes. E agora, ele tem a tarefa de fazer isso na panela de pressão do futebol que é a AS Roma. Mas Roma não é Bergamo. Aqui, a paciência é pouca e as expectativas são exageradas. O que nos leva à pergunta mais importante: será que ele conseguirá reproduzir o modelo da Atalanta na Roma?

O enigma da capital

Na teoria? Claro. Na prática? É complicado. Historicamente, Roma tem devorado boas ideias antes que elas possam amadurecer. A passagem de Luis Enrique me vem à mente: um inovador tático que foi prejudicado pela indecisão da diretoria e pela falta de apoio institucional. Sua Roma apresentava uma defesa que incluía Rodrigo Taddei na lateral – não diga mais nada.

Agora, Gasperini chega com ideias igualmente grandiosas e condições igualmente frágeis. A pré-temporada começou com zero contratações confirmadas. Não é o ideal para um técnico cujo estilo exigente e de alta octanagem requer preparação física imediata e treinamento tático.

Reforços importantes ainda pendentes

Gasperini identificou duas áreas prioritárias: a lateral direita e o meio-campo.  Wesley (Flamengo) e  Richard Rios (Palmeiras) são seus alvos. Na frente, Evan Ferguson é o principal candidato a atacante – um jovem talento com potencial, mas que precisa de um novo começo depois de um período difícil.

Enquanto isso,  Paulo Dybala e  Lorenzo Pellegrini devem ser revitalizados. Dybala continua sendo um jogador de classe mundial que faz a diferença quando está em forma. Pellegrini ainda está se recuperando de uma lesão, o que torna incerto seu impacto no início da temporada. As restrições do Fair Play Financeiro significam que serão necessárias saídas para financiar as novas chegadas – um equilíbrio delicado a ser alcançado sem enfraquecer a equipe.

Apoie-o ou quebre-o

O tempo está passando para que Ricky Massara e Claudio Ranieri façam o que devem fazer. Quando a equipe estiver formada, os holofotes se voltarão totalmente para Gasperini. Mas a diretoria deve dar a ele o que faltou nos projetos fracassados do passado: apoio inabalável. Mesmo que os resultados iniciais sejam instáveis. Mesmo que um jogador importante entre em conflito com seus métodos.

A Atalanta o apoiou em todos os momentos – mesmo em meio a conflitos internos com figuras como Papu Gómez. A Roma deve fazer o mesmo. Porque Gasperini não é apenas um técnico; ele é um sistema, uma ideologia futebolística. Mas sem um apoio estrutural, até mesmo as melhores ideias fracassam.

RomaFootball
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O veredicto

Se a hierarquia do clube se organizar, Gasperini poderá transformar a Roma em um verdadeiro candidato a ficar entre os quatro primeiros. Mas tudo começa com o fornecimento das ferramentas – e do tempo – para a construção. Roma não foi construída em um dia. Mas Gasperini pode ser o arquiteto que finalmente construirá as bases corretas.

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