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As fábricas por trás da Seleção. Academias brasileiras que formaram a equipe da Copa do Mundo da FIFA 2026

05/06/2026, 05:11

Vinte e seis jogadores. Vinte academias de base diferentes. Uma equipe para a Copa do Mundo. Quando o Brasil entrar em campo na Copa do Mundo da FIFA 2026, a história por trás da Seleção será uma história de geografia, ambição e a extraordinária profundidade da infraestrutura de futebol de uma nação – uma história que não começa em Madri ou Liverpool, mas em campos de treinamento em Florianópolis, São Paulo e Rio de Janeiro.

Este relatório, preparado pela TipsGG, mapeia como a atual seleção brasileira foi moldada por suas categorias de base: quais clubes produziram o maior número de jogadores, quais jogadores formados têm o maior número de partidas e gols e – o que é mais revelador – quais academias proporcionaram o maior valor de mercado para o futebol global. Cada jogador pertence à academia onde passou o período mais longo de sua carreira juvenil

Metodologia de dados

Todos os dados deste relatório baseiam-se na equipe oficial de 26 jogadores do Brasil anunciada pela CBF em 18 de maio de 2026. As estatísticas de gols e bonés refletem o histórico internacional sênior de cada jogador até a data limite de 2 de junho de 2026. As avaliações de mercado são obtidas do Transfermarkt (maio de 2026) e arredondadas para o milhão de euros mais próximo.

Cada jogador é atribuído a uma única academia de juniores, definida como o clube onde passou o maior período contínuo ou cumulativo antes de assinar seu primeiro contrato profissional sênior. Os períodos de empréstimo durante as carreiras juvenis foram excluídos; quando duas academias tinham o mesmo tempo, o clube mais recente foi selecionado.

As fontes incluem o Transfermarkt, perfis de jogadores e equipes da Wikipedia, históricos oficiais dos clubes e registros da RSSSF

O cenário da Academia: Quem produziu mais jogadores

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Apenas uma academia produziu três jogadores para a Copa do Mundo: O Flamengo. Outras quatro academias – Avaí, São Paulo, Atlético-PR e Fluminense – contribuíram com dois jogadores cada. As quinze academias restantes produziram um jogador cada, uma distribuição que revela o quão amplo é o canal de talentos do Brasil.

O Flamengo lidera o campo. De suas categorias de base saiu Vinícius Júnior – um dos jogadores mais caros do mundo, com 150 milhões de euros – ao lado de Lucas Paquetá e Wesley. A academia do clube não se limitou a desenvolver talentos; ela produziu superestrelas.

O Fluminense contribuiu com uma dupla consistente: Fabinho e Luiz Henrique, ambos desenvolvidos por meio da estrutura de base de longa data do clube antes de encontrar carreiras no exterior.

O AvaíFC de Florianópolis é a grande história oculta do relatório. Um clube que passou grande parte de sua história recente na segunda divisão do Brasil produziu Gabriel Magalhães (75 milhões de euros, Arsenal) e Raphinha (80 milhões de euros, Barcelona) – um total de 155 milhões de euros de talento de uma academia distante das potências tradicionais.

A amplitude da lista é igualmente impressionante. O Verê, um clube do estado do Paraná, desenvolveu Igor Thiago ao longo de nove anos de formação. O PRS, uma equipe modesta do estado do Rio de Janeiro, formou Roger Ibañez. O Andirá, do Paraná, foi a primeira e mais longa parada na jornada juvenil de Weverton. A infraestrutura do futebol brasileiro não começa e termina com os gigantes

A métrica da experiência: Bonés gerados por academia

Se o valor de mercado mede o potencial, os títulos internacionais medem a contribuição comprovada e contínua para a Seleção. Por essa medida, as classificações mudam significativamente.

A academia do Santos FC está sozinha com 128 partidas – porque um homem gera todas elas. Neymar Jr., o maior artilheiro da história do Brasil, passou seus anos de formação entre 2003 e 2009 no Santos, tendo chegado da Portuguesa Santista aos onze anos de idade. O retorno desse investimento: 128 jogos na equipe principal e 79 gols internacionais.

A academia do São Paulo FC produziu 117 partidas com dois jogadores: Casemiro (85) e Ederson (32). Casemiro tem sido a âncora defensiva do futebol brasileiro há mais de uma década – um produto direto da filosofia de formação do São Paulo.

O Flamengo vem em seguida, com 117 partidas pela equipe principal, distribuídas entre Vinícius Júnior (48), Lucas Paquetá (62) e Wesley (7). O que torna o número do Flamengo particularmente significativo é sua trajetória: a maior parte dessas convocações pertence a jogadores que ainda estão no início ou no meio de suas carreiras internacionais.

O Corinthians produziu 104 convocações de um único jogador formado: Marquinhos, o capitão da equipe e, sem dúvida, o zagueiro mais importante do Brasil em sua geração, agora com mais de um século de jogos pela equipe principal. O sistema de base do clube pode ter produzido apenas um jogador nessa equipe, mas a qualidade dessa única produção coloca o Corinthians entre as academias de maior impacto neste relatório.

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Fonte: x.com/CBF_Futebol

A métrica dos gols: Cujos jogadores formados decidem as partidas

O total de gols marcados pela Seleção revela a potência do ataque – e mostra como um jogador formado em uma academia reformula toda a métrica.

Santos é responsável por 79 dos 150 gols internacionais coletivos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 – mais da metade, a maior parte deles marcados por Neymar em quase duas décadas de futebol internacional. Seus 0,62 gols por partida são uma relação raramente vista em nível internacional.

Além de Neymar, a relação gols por partida revela quem é mais decisivo em relação à sua experiência

Jogador Bonés Gols Gols/Cap Academia
Neymar 128 79 0.62 Santos
Raphinha 38 11 0.29 Avaí
Lucas Paquetá 62 13 0.21 Flamengo
Endrick 16 3 0.19 Palmeiras
Vinícius Júnior 48 9 0.19 Flamengo
Casemiro 85 9 0.11 São Paulo

A eficiência de Raphinha faz com que o impacto da academia do Avaí seja mais significativo do que os números brutos de bonés sugerem. E a proporção de Endrick, aos 19 anos, aponta para uma geração que pode vir a rivalizar com o legado de Neymar

O retorno financeiro: Valor de mercado por academia

O valor de mercado combinado de todos os 26 jogadores da equipe do Brasil é de aproximadamente 1,1 bilhão de euros. A distribuição desse valor por academia de base revela quais clubes oferecem o maior retorno sobre seu investimento em desenvolvimento

Academia Jogadores Bonés Gols Valor
Flamengo Vinícius Jr., Paquetá, Wesley 117 22 €222m
Avaí Gabriel Magalhães, Raphinha 55 12 €155m
Audax Rio Bruno Guimarães 42 2 €75m
Coritiba Matheus Cunha 22 1 €70m
Verê Igor Thiago 3 2 €50m
Ituano Gabriel Martinelli 22 4 €45m
Vasco da Gama Rayan 2 1 €40m
Fluminense Fabinho, Luiz Henrique 46 2 €38m
Palmeiras Endrick 16 3 €35m
Desportivo Brasil Bremer 7 1 €35m
Bahia Danilo Santos 3 2 €32m
Corinthians Marquinhos 104 7 €25m
São Paulo Casemiro, Ederson 117 9 €18m
Internacional Alisson 77 0 €17m
Atlético-PR Alex Sandro, Léo Pereira 47 2 €13m
PRS Roger Ibañez 6 0 €8m
Santos Neymar 128 79 €8m
Náutico Douglas Santos 6 0 €7.5m
América Mineiro Danilo Luiz 69 1 €2m
Andirá Weverton 10 0 €1m

O Flamengo lidera com 222 milhões de euros – um número impulsionado em grande parte pela avaliação de 150 milhões de euros de Vinícius Júnior. Se ele for retirado, o Flamengo cai para terceiro. A maior conquista da academia não foi apenas desenvolvê-lo; foi reconhecer o que ele poderia se tornar.

O Avaí, avaliado em 155 milhões de euros , é o choque estatístico deste relatório. Um clube da Série B do Brasil produziu dois dos jogadores mais cobiçados da Europa – Gabriel Magalhães e Raphinha -, o que o torna, sem dúvida, o programa de desenvolvimento de talentos mais eficiente do futebol mundial, de acordo com qualquer medida financeira.

Verê e Desportivo Brasil são as entradas mais inesperadas deste relatório. A Verê, uma academia juvenil do interior do Paraná, formou Igor Thiago ao longo de nove anos – um jogador agora avaliado em 50 milhões de euros no Brentford. O Desportivo Brasil forneceu a base para Bremer (35 milhões de euros, Juventus). Nenhum dos dois clubes aparecerá em qualquer manchete; ambos deixaram marcas permanentes na Seleção.

O Audax Rio e o Coritiba produziram, cada um, um único jogador avaliado em mais de 70 milhões de euros: Bruno Guimarães (75 milhões de euros) e Matheus Cunha (70 milhões de euros), respectivamente. Ambos se desenvolveram em clubes com recursos mínimos e impacto máximo.

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Fonte: x.com/ArsenalBuzzCom

O paradoxo: crescido no Brasil, jogando em outro lugar

Dos 26 jogadores da equipe brasileira, 19 jogam atualmente fora do Brasil e sete atuam no país. O caminho ainda passa fortemente pela Europa: o grupo da Premier League inclui Alisson, Gabriel Magalhães, Casemiro, Bruno Guimarães, Matheus Cunha, Gabriel Martinelli, Rayan e Igor Thiago; a La Liga fornece Vinícius Júnior e Raphinha; a Ligue 1 inclui Marquinhos e Endrick; a Serie A conta com Bremer na Juventus e Wesley na Roma; e Ederson representa a Süper Lig turca com o Fenerbahçe.

Além da Europa, Fabinho e Roger Ibañez destacam a atração da Saudi Pro League por jogadores experientes da seleção brasileira, enquanto Douglas Santos e Luiz Henrique, no Zenit St. Petersburg, refletem a maior disseminação global do talento brasileiro.

No entanto, para muitos desses jogadores, a mudança para o exterior nunca significou uma ruptura total. Vinícius Júnior – agora no Real Madrid e entre os melhores do mundo – sempre chamou o Flamengo de “o clube da minha vida”, creditando à academia o fato de lhe dar um futuro melhor e tirá-lo de São Gonçalo. Ele prometeu um retorno, e em seus próprios termos: “Voltarei um dia, mas não quando estiver velho. Tenho que ganhar a Libertadores com eles” É um sentimento que capta o paradoxo mais amplo dessa equipe: O Brasil exporta seus talentos para o mundo, mas o mundo nunca os aceita totalmente.

Sete jogadores estão no Brasil: Weverton no Grêmio; Danilo Luiz, Léo Pereira, Alex Sandro e Lucas Paquetá no Flamengo; Danilo Santos no Botafogo; e Neymar no Santos. O retorno de Neymar ao clube onde começou sua carreira acrescenta um peso simbólico a esse mesmo paradoxo – uma das figuras mais marcantes do futebol voltou para casa para aquela que pode ser sua última Copa do Mundo

O próximo capítulo: Duas academias a serem observadas

O Palmeiras produziu Endrick – nascido em 2006, agora avaliado em 35 milhões de euros, e já com 16 jogos pela seleção brasileira e 3 gols internacionais antes de completar 20 anos. Ele é a projeção mais clara do que a metodologia estruturada das categorias de base do Palmeiras pode produzir em nível de elite.

O Vasco da Gama desenvolveu Rayan – também nascido em 2006 e agora avaliado em 40 milhões de euros após sua transferência para o Bournemouth. Seu histórico no Brasil ainda é pequeno, mas duas partidas pela seleção e um primeiro gol internacional aos 19 anos já indicam que o jogador está evoluindo rapidamente no caminho da Seleção. Sua passagem de 11 anos pela escolinha do Vasco diz muito sobre o olho do clube para o talento.

Juntos, Endrick e Rayan representam uma transição de gerações já em andamento. Ambos nasceram em 2006. Ambos passaram pelas principais academias brasileiras. E ambos estão agora se preparando para representar a Seleção em uma Copa do Mundo.

Dê uma olhada mais de perto nas academias por trás da equipe brasileira da Copa do Mundo de 2026. Essa visualização mapeia cada jogador para o sistema juvenil que o desenvolveu, revelando os clubes que continuam a alimentar o canal de talentos da Seleção e a próxima geração de estrelas que já estão deixando sua marca no cenário internacional

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O verdadeiro torneio começou anos atrás

A Copa do Mundo de 2026 será realizada em campos dos Estados Unidos, Canadá e México. Mas a competição que moldou o resultado começou décadas antes – nas categorias de base de todo o Brasil, desde os gigantes estabelecidos no Rio de Janeiro até um clube obscuro no interior do Paraná.

O Flamengo lidera em volume e valor. O Santos lidera pelo legado. O Avaí lidera pela eficiência. E a presença discreta de Verê, PRS, Andirá e Desportivo Brasil nessa lista talvez seja o detalhe mais brasileiro de todos: o talento sempre esteve lá. Bastava que alguém o encontrasse primeiro.

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